Parceria entre Escola da Cidade, comunidade do Ilê Asé Nitánirê e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Desde 1980, a cada dia 27 de setembro, é realizada a Festa de São Cosme e São Damião de Carapicuíba, cidade da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), liderada por Mãe Iraildes, Iyalorixá do Ilê Asé Nitánirê. Apesar de o terreiro se localizar no bairro Novo Horizonte, região periférica da cidade, a celebração acontece, desde os anos 2000, em locais de acesso público, contando com a participação de centenas de crianças de diversas áreas do município – quase todas de famílias que não observam religiões de matriz africana.
A festa realizou sua 46ª edição em 2025, tornando-se um dos principais referenciais de acolhimento construído desde a instalação dos primeiros terreiros na cidade, reunindo comunidades das religiões de matriz africana e população periférica em geral, reunindo cerca de 1.500 a 2.000 crianças.
Em 2023, foi redigido o projeto de pesquisa e extensão “Proposta de projeto-piloto de identificação da Festa de Cosme e Damião de Carapicuíba: a rede de terreiros na formação da cidade”, a partir do diálogo entre técnicos do órgão, pesquisadoras e agentes da comunidade relacionada à celebração (denominada comunidade detentora para os fins da parceria).
A proposta foi selecionada no Edital de Chamamento Público n. 05/2023, Programa Nacional do Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (PNPI-IPHAN), com início em setembro de 2024 e encerramento em janeiro de 2026. Embora o objetivo principal do projeto fosse a identificação da festa como bem cultural, a equipe trabalhou a partir da perspectiva de que esse processo só poderia ser realizado a contento se incorporasse a compreensão das redes territoriais formadas e formadoras da comemoração.
Dessa forma, o reconhecimento da festa como referência na esfera do patrimônio abriu caminho também para a construção de uma história da cidade de Carapicuíba redigida a partir da interlocução entre academia e indivíduos ou coletivos articulados direta ou indiretamente às tradições de matriz africana. Buscou-se, assim, construir uma história pautada pela “escrevivência” e pela tradição oral. A equipe do projeto foi formada por pesquisadoras vinculadas à Escola da Cidade e por integrantes da comunidade detentora, em funções de pesquisa e produção de material.
O projeto resultou em três produtos principais, já disponibilizados para consulta e que terão seu lançamento oficial em evento a ser realizado em agosto de 2026. O primeiro produto é o livro A Festa de São Cosme e São Damião de Carapicuíba: fé, tradição e ancestralidade no sorriso de cada criança, redigido a partir da realização de cerca de vinte entrevistas e dinâmicas coletivas de escuta com as organizadoras da festa (Mãe Iraildes, Mãe Zana de Odé e Ekedi Vera), lideranças comunitárias e religiosas, comerciantes que fornecem insumos para a celebração e outras pessoas frequentadoras, além da participação direta em atividades de planejamento e realização da festa.
A segunda produção é o filme A Festa de Cosme e Damião de Carapicuíba, que registra e narra a celebração, a partir, principalmente, das crianças participantes e dos sentidos construídos pelas três matriarcas, Mãe Iraildes, Mãe Zana e Ekedi Vera. No filme, conhecemos alguns pontos centrais da história da celebração na cidade e de seu valor para a vida social e política das comunidades negras da cidade.
Por fim, o terceiro produto, é a inscrição da celebração no Inventário Nacional de Referências Culturais do IPHAN (INRC), trabalho que busca o reconhecimento da festa como referencial para a cidade de Carapicuíba. Essa atividade segue em complementação, para tornar público o registro da Festa de Cosme e Damião de Carapicuíba na plataforma do órgão de patrimônio, em seu novo formato.
Link de acesso ao livro em formato digital:
Link de acesso à página do INRC (em construção):
EDITAL DE CHAMAMENTO N. 05/2023 DO INSTITUTO DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN) – INSTRUMENTO N. 947714
Equipe Técnica IPHAN:
Diana Dianovsky Martiniano S. de A. Neto
Mônica de M. Mongelli
Pedro Gustavo M. Clerot
Superintendente do IPHAN em São Paulo:
Danilo de Barros Nunes
Coordenadora Técnica IPHAN:
Olívia Malfatti Buscariolli
Equipe Técnica Titular para o acompanhamento do projeto:
Evandro Domingues
Suplente para o acompanhamento do projeto:
Corina Maria R. Moreira
Coordenação Escola da Cidade:
Amália C. dos Santos
Glória Kok
Comunidade detentora:
Odecidarewá (Zana Meire O. de Jesus)
Ofacilomy (Bryan W. O. de Almeida)
Tomaz O. dos Santos
FICHA TÉCNICA DO LIVRO
Autoria:
Amália C. dos Santos
Glória Kok
Registro audiovisual e fotográfico:
Day Rodrigues
Gabriela Toral
Luan Batista
Luiza Rovere
Cartografia:
Beatrice Perracini Padovan
João Pedro Manccini F.
Sarah R. da Silva
Transcrição:
Raíssa A. de Oliveira
Editoração:
Gabriela Giannotti
Digitalização e tratamento de imagens:
Gabriela Giannotti
Ilustrações:
Gabriela Toral
Tomaz O. dos Santos
Revisão de conteúdo:
Mãe Iraildes
Ekedi Vera
Odecidarewá (Zana Meire O. de Jesus)
Revisão de texto:
Clara Kok Martins
FICHA TÉCNICA DO FILME
Direção, Pesquisa, Roteiro e Produção:
Day Rodrigues
Codireção e Direção de Fotografia:
Luan Batista
Roteiro, Montagem e Edição:
Rodrigo Espíndola e Luan Batista
Colorização, Finalização e Legendagem:
Éderson Guilherme
Edição de Som e Mixagem:
Craca Beat
Trilha Sonora Original:
Victoria dos Santos
Educador:
Geovani Nascimento
Som Direto:
Sabrina Teixeira Novaes
Assistência de Produção:
Camila Etsumi Sokabe
Animação e Identidade Visual:
Luan Batista e Beatrice Perracini Padovan
Acervo fotográfico:
Mãe Iraildes
Imagens adicionais (Ilê Asé Nitánirê):
Zé Luiz

